neděle 21. ledna 2007

Petrov e Pavla


quando se entra sente-se logo um certo formigueiro, não se sabe bem de onde vem. é um lugar sagrado e esse sentimento é o primeiro que nos encontra. não é um lugar de peregrinação, não é um lugar já sem sentido pelos mil souvenirs pirosos vendidos em todas as lojas. mas é sagrado, ainda que não tenhamos religião.

tento não fazer barulho para não incomodar aqueles que já lá estão. sento-me num banco antigo, de madeira trabalhada. à minha volta os frescos que contam a paixão de Cristo e os santos Pedro e Paulo que nos recebem, um de cada lado. as cores do altar fascinam. a luz entra e fica como que a pairar.
não conheço as palavras e mesmo assim consigo encantar-me, apenas sei que é latim. depois os cânticos também em latim, entoados pelas várias vozes compenetradas e acompanhados pelo órgão numa melodia única. de olhos fechados, deixo que as imagens sugestionadas pelo ambiente místico cheguem. e chegam sem pressa, passando lentas. é no passado que Cristo existiu e é lá que o vejo. vejo uma cruz de madeira só e um homem de barba e longos cabelos compridos sorrindo, sorrindo e deixando-o um sorriso em todos aqueles que o vêem.
fico até ao fim. todos se foram embora e fico a ouvir a música do órgão que continua.
não sei porque quis ir. talvez porque quando lá entrei senti a atmosfera que nos transporta facilmente para onde queremos estar. há uma paz que não nos abandona depois de saírmos. mais que um lugar sagrado talvez seja um lugar mágico!